quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FORMAÇÃO CÍVICA NAS ESCOLAS

Formação cívica nas escolas
Armanda Zenhas 2010-05-19
A intervenção de carácter punitivo ou com a forma de "sermão" não será a mais adequada a produzir mudanças e a modificar comportamentos. É importante que seja feito um trabalho de desenvolvimento de competências sociais...
O 6.º I entra na sala a correr. Os alunos dão encontrões uns aos outros, deitam livros ao chão, agridem-se, gritam. Até a turma acalmar, passam uns bons dez minutos de aula. No 8.º B, um grupo de alunos prega constantemente partidas de mau gosto a colegas escolhidos a dedo, que se sentem humilhados ou marginalizados, o tão falado bullying. Turmas como estas são a realidade quotidiana das escolas. Na resolução de todos estes problemas, ao director de turma (DT) cabe uma grande responsabilidade, acarretando um enorme consumo de tempo e de energia. Muito do seu tempo é também gasto em burocracias, como marcação de faltas aos alunos, recepção e análise das justificações, entrega de mensagens diversas para estes levarem para casa. Para estes fins, é indispensável haver um tempo previsto de encontro entre o DT e a turma/os alunos.Num momento em que se questiona a carga horária do 2.º e do 3.º ciclos do Ensino Básico e a existência das áreas curriculares não disciplinares, entre as quais a de Formação Cívica, faz todo o sentido reflectir sobre a pertinência da sua continuidade. Aquando da sua criação, a Formação Cívica era definida como o "espaço privilegiado para o desenvolvimento da educação para a cidadania, visando o desenvolvimento da consciência cívica dos alunos como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos responsáveis, críticos, activos e intervenientes, com recurso, nomeadamente, ao intercâmbio de experiências vividas pelos alunos e à sua participação, individual e colectiva, na vida da turma, da escola e da comunidade." (Dec-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro, art.º 5.º, ponto 3, alínea c). Por conseguinte, situações como as descritas acima encontram, nesta área, um espaço de eleição para serem trabalhadas e prevenidas novas ocorrências. É também o espaço de encontro entre o DT, que a lecciona, e os alunos, proporcionando o tempo (mesmo assim, frequentemente, escasso) para a resolução de tarefas burocráticas, como a justificação de faltas e o envio de mensagens para casa ou recepção de comprovativo de entrega das mesmas. Antes da existência da área não curricular de Formação Cívica, tal como ainda sucede no Ensino Secundário em que ela não existe, o DT precisava de "roubar" à sua disciplina o já insuficiente tempo para leccionar o programa, a fim de resolver com os alunos todos os problemas e tarefas relativos à direcção de turma, visto não haver qualquer espaço temporal comum para se encontrarem.Em cada turma, o conselho de turma pode ter um papel interventivo na definição de temas a tratar nas aulas de Formação Cívica, a partir da identificação dos principais problemas, da definição de prioridades e do estabelecimento de estratégias de intervenção. É essencial ainda que os professores, nas suas aulas, dêem continuidade ao trabalho feito na Formação Cívica.A intervenção de carácter punitivo ou com a forma de "sermão" não será a mais adequada a produzir mudanças e a modificar comportamentos. É importante que seja feito um trabalho de desenvolvimento de competências sociais, como, por exemplo: competências de comunicação (verbal e não verbal), de resolução de conflitos, de trabalho de grupo. É também fundamental que se procure desenvolver, nos alunos, a auto-estima, a autoconfiança, a assertividade e o sentido de responsabilidade.As actividades a utilizar devem envolver muito os alunos. Poderão ser jogos, debates, dramatizações, trabalhos de grupo. Eles devem sentir esta área, não como uma disciplina, mas como um espaço onde discutem e trabalham acerca de problemas e situações do seu quotidiano, onde aprendem a conhecer-se melhor e a relacionar-se melhor com os outros.

INDISCIPLINA: ESTRATÉGIA DE RESOLUÇÃO

Uma história real de indisciplina (Parte 2: Uma estratégia de resolução)
Armanda Zenhas 2010-06-16
Os resultados são surpreendentes. Todos querem participar. De início, apenas escrevem para os amigos, pelo que os alunos mais populares recebem muitas mensagens e os menos populares ficam sem nenhumas. Por isso, o trabalho do professor não acaba aqui.
No último artigo falei de uma turma com problemas de disciplina. Referi sumariamente diversas regras que devem ser observadas nessas situações e sugeri várias estratégias.Prometi para depois a descrição de uma estratégia que foi utilizada com bastante sucesso na modificação dos comportamentos disruptivos e na entreajuda e coesão da turma para atingir esse objectivo. Alerto, desde já, para o facto de o sucesso desta estratégia ter de ser integrado no trabalho global feito com a turma e com cada um dos alunos mais problemáticos. Mas antes de descrever a estratégia a que me tenho referido, deixem-me recuar à última quinzena do mês de Julho de 1997, em que, terminadas as aulas e as tarefas burocráticas, voei para Canterbury, em Inglaterra, onde frequentei um curso intensivo para professores de Inglês, com o apoio do programa LINGUA. Aquele curso de "Whole Brain Learning"... O que aprendi sobre a forma de mobilizar todo o cérebro para rentabilizar a aprendizagem e de como ensinar para conseguir esses objectivos! As vantagens que retirei da imersão no mundo da língua inglesa, a tempo inteiro, para "refrescar" as minhas competências nesse domínio! Se quiser repetir a experiência, terei que o fazer em férias, momento em que terminam as incontáveis tarefas burocráticas que se sucedem ao fim das aulas. Como sobreviver sem metade das férias? Mudam-se os tempos...Regresso agora à estratégia específica a que me tenho referido, complementar a várias das que podem ser utilizadas para fomentar a disciplina numa turma, e que visa melhorar as relações entre os alunos (entre todos os alunos), para que nenhum seja excluído; visa levar cada aluno a olhar para os aspectos positivos de cada um dos outros e a ter os seus reconhecidos por eles; e visa, ainda, incentivar a melhoria de atitudes, comportamentos e valores de todos eles. Aprendi-a em Canterbury, no referido curso. Consiste na troca, entre os alunos, de mensagens de apreço, elogio ou agradecimento, por características positivas deles ou por actos por eles realizados. Explica-se aos alunos que, apesar de o respeito pela privacidade ser importante, o professor tem que ler essas mensagens antes de as entregar aos destinatários, para evitar "batota", ou seja, mensagens com conteúdos depreciativos.Não sendo a escrita das mensagens de carácter obrigatório, o professor entrega, aos alunos que pretendam, papéis que podem ter cores ou formas mais apelativas (por exemplo, recortados com uma tesoura especial). Cada aluno escreve as mensagens que quiser, referindo o destinatário, a data e assinando, após o que as devolve ao professor. Este verifica o conteúdo. Se não for aceitável, explica os motivos a quem o redigiu. Nas restantes situações, faz chegar as mensagens aos seus destinatários. Os resultados são surpreendentes. Todos querem participar. De início, apenas escrevem para os amigos, pelo que os alunos mais populares recebem muitas mensagens e os menos populares ficam sem nenhumas. Por isso, o trabalho do professor não acaba aqui. Continua a incentivar a participação dos alunos na actividade, mas desta vez apelando a que escrevam a quem ainda não escreveram, para que todos recebam mensagens, já que todos têm aspectos positivos ou fazem acções que merecem elogio. Por isso, deverão evitar escrever aos melhores amigos, procurando, antes, elogiar, incentivar e valorizar outros colegas. A certo ponto, a turma apercebe-se da necessidade de melhorar o comportamento e surgem mensagens de incentivo à mudança para os alunos mais problemáticos.Aqui ficam exemplos de algumas mensagens reais:- "Obrigado por me teres ajudado na aula de Português. És um amigo fixe."- "Obrigada por me teres ouvido sobre aquilo e não teres contado a ninguém. És uma boa amiga. Posso contar contigo."- "Parabéns por não teres mandado bocas na aula de História de hoje. Continua assim. Vais conseguir."- "Obrigado por me teres deixado entrar no jogo hoje no recreio."E assim cada aluno aprende a ver os aspectos positivos de cada um dos outros e a respeitar todos; cada aluno verifica que tem qualidades que são apreciadas pelos colegas, todos vão ganhando vontade de melhorar ou de ajudar os outros a melhorarem. Reforço a ideia de que esta estratégia não "vive" sozinha, mas enquadrada num trabalho global. Termino dizendo que também pode ser utilizada em turmas com bom comportamento, com os mesmos objectivos de fomentar em cada aluno a valorização de si próprio e de cada um dos outros, a aceitação da diferença e a melhoria das relações interpessoais.Que saudades de Canterbury e do tempo em que a burocracia ainda não esmagava os professores e eles podiam aproveitar o tempo mais produtivamente!

INDISCIPLINA?

Uma história real de indisciplina (Parte 1: A descrição)
Armanda Zenhas 2010-06-02
Imaginem uma turma de 5.º ou 6.º ano, com 25 alunos turbulentos e conversadores. Entre eles, dois com hiperactividade e dois com défices cognitivos (excluídos de apoios específicos à luz do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro) e ainda vários alunos com problemas emocionais mais ou menos graves, devidos a contextos familiares problemáticos. Há também um aluno, vindo de outra escola, com um sério historial de agressividade.
Nesta turma (valha-nos isso!) todos os alunos são amigos e integram bem os que têm os problemas mencionados. Há, contudo, o reverso da medalha: as aulas são óptimas oportunidades de convívio e de conversa, que os "chatos" dos professores insistem em interromper com a matéria e as actividades a ela ligadas. Dois alunos disputam entre si o papel de "palhaço" principal e fazem comentários em voz alta para provocarem o riso da turma, levantam-se sem autorização, muitas vezes terminam fora da sala de aula. À sua volta, gravita um pequeno grupo que estimula o show e incentiva as palhaçadas, participando nelas, por vezes. Os restantes não incentivam, mas riem-se. E é difícil agir sobre uma turma que, colectivamente, além de conversar para o lado (comportamento que não acha grave, mas não lhe permite trabalhar com atenção e proveito), ainda se diverte.Qual o professor que não teve já uma/muitas turma/s destas ou pior? Como resolver tal situação? Não é fácil e não há receitas. No entanto, há condições a obedecer:- definir regras claras e consequências a aplicar quando elas são desrespeitadas;- identificar bem os problemas, os tipos de comportamento e os alunos que os executam, os que os estimulam e os que se controlam;- envolver todos os parceiros interessados: alunos, professores, família (e outros, eventualmente, como a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, médicos ou psicólogos acompanhantes dos alunos, Serviço de Psicologia e Orientação da escola).Turmas como esta têm sido recorrentes ao longo da minha vida profissional. Não caberia neste espaço o relato das estratégias utilizadas com elas e de outras tantas possíveis de utilizar. Passarei a correr pela tal definição de regras por alunos e professores e das consequências do desrespeito pelas mesmas; pelo contacto frequente com os encarregados de educação e seu envolvimento no acompanhamento dos seus educandos; pelos contratos de comportamento estabelecidos entre aluno, professores e EE; pelos registos de comportamento aula a aula, por vezes associados a esses contratos; pelo estabelecimento de pares de entreajuda, em que um aluno responsável e bem comportado ajuda outro a resolver os seus problemas (de comportamento, de dificuldade de concentração, de execução das tarefas). Para o próximo artigo deixarei a descrição mais pormenorizada de uma outra estratégia, que surtiu efeitos muito positivos na modificação dos comportamentos disruptivos e na entreajuda e coesão da turma para atingir esses objectivos.

SUGESTÕES DE TRABALHO

Formação Cívica: sugestões de trabalho
Armanda Zenhas 2002-02-11
É interessante observar o prazer com que os alunos se envolvem neste tipo de jogos. Eles são levados a ver os outros de uma forma positiva e a verem os aspectos que os outros consideram positivos em si. Fomenta-se a tolerância e promove-se a auto-estima.
É frequente o surgimento de brigas e de insultos entre os alunos. Às vezes eles deixam marcas que demoram a passar. Há alunos que não se sentem apreciados pelos outros e, quantas vezes, não o são também por si próprios. Há alunos que são muito impulsivos, que têm dificuldade em tomar a perspectiva dos outros e atribuem acontecimentos insignificantes a más intenções dos colegas. Na aula de Formação Cívica podem ser desenvolvidas actividades, tais como jogos e dramatizações, que tenham como objectivo reforçar o conhecimento inter e intrapessoal, orientado para os aspectos positivos de cada indivíduo. É esse o objectivo das actividades aqui sugeridas.1ª actividade:Um aluno sai da sala. A turma refere aspectos que aprecia nesse colega, os quais são registados no quadro. O aluno é chamado e tenta adivinhar quem referiu cada um dos aspectos mencionados.Convém estabelecer um número fixo de referências a fazer sobre cada aluno, para que não haja diferença entre eles. Regras fundamentais a respeitar:- Só podem ser referidos aspectos positivos.- Ninguém pode troçar nem ser indelicado ou desagradável.2ª actividade:É necessária um bola pequena e leve, que será lançada de aluno para aluno, ou um objecto que sirva de testemunho, que irá passar de mão em mão. O professor lança a bola para um aluno, ou passa o testemunho para o primeiro aluno de uma das filas. Este irá referir um aspecto positivo de um colega da turma, felicitando-o por ele ou agradecendo-lho. Em seguida lançará a bola para um colega ou passará o testemunho àquele que estiver mais próximo. Repete-se o procedimento.Regras:- Se um aluno não quiser mesmo participar, poder passar a bola ou o testemunho, sem se pronunciar. Contudo, convém incentivar a participação de todos.- Ninguém pode referir aspectos negativos.- Não pode haver reacções negativas (verbais ou não verbais) ao que cada aluno diz.Exemplos de apreciações que podem ser feitas pelos alunos:- Obrigada, Susana, por me teres telefonado quando eu faltei.- Eu gosto de jogar futebol com o Albano. Ele respeita as regras e não anda à pancada.É interessante observar o prazer com que os alunos se envolvem neste tipo de jogos. Eles são levados a ver os outros de uma forma positiva e a verem os aspectos que os outros consideram positivos em si. Fomenta-se a tolerância e promove-se a auto-estima. Passo a passo, vão sendo criadas condições para que as relações interpessoais na turma sejam melhores, com a diminuição de conflitos e a sua resolução de uma forma mais adequada.Sugestões de leitura:Alcântara, J. A. (1997). Como Educar a Auto-estima. Lisboa: Plátano Edições Técnicas.Brandes, D. & Phillips, H. (1997). Manual de Jogos educativos. Lisboa: Moraes Editores.Marujo, H. A., Neto, L. M., & Perloiro, M. F. (1999). Educar para o Optimismo. Lisboa: Editorial Presença.

MANUAL DE FORMAÇÃO CÍVICA: APRENDER A CRESCER

Aprender a Crescer - Manual de Formação Cívica
(incluindo jogo pedagógico)
de Ana Isabel Garrido; -->ilustração de Inês Massano Cardoso -->
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 62
Editor: Mar da Palavra
ISBN: 9789728910273


Sinopse
"Aprender a crescer - Manual de Formação Cívica" é uma obra que se dirige, sobretudo, aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. Resulta de cinco anos de coordenação das actividades desenvolvidas no âmbito da Formação Cívica, numa escola do concelho de Pombal (Instituto D. João V), com cerca de 1600 alunos. Constitui um conjunto de actividades que abordam a educação e a clarificação de valores, atitudes e afectos, a democracia, a vida saudável, a educação ambiental e a solidariedade. O jogo "Aprender a crescer" foi criado especificamente para estas aulas, embora possa também ser jogado em família ou em grupos de amigos. Ajuda professores e alunos a comunicar e a reflectir sobre assuntos do seu agrado ou que os preocupam particularmente. Os temas do jogo foram sugeridos pelos alunos em anos anteriores. Alguns deles são bastante "leves" - "Moda", "Ambiente", "Desporto", "Profissões", "Comportamentos de risco" - outros, porém, seriam difíceis de tratar formalmente durante as aulas, uma vez que, embora sejam do conhecimento dos adolescentes, podem ser muito íntimos - "Educação sexual", "Sentimentos", "Violência doméstica", "Relação pais e filhos".

domingo, 11 de abril de 2010

SEGURANÇA: SISMOS


SEGURANÇA: PREVENIR INCÊNDIOS

GUIÃO:CONSTRÓI O TEU COMPOSITOR ESCOLAR

Hoje vais proceder à montagem do teu “Compostor Escolar”
-> Desloca-te ao recinto escolar, com as tuas professoras e colegas;
-> Dirige-te para o local onde irás montar o Compostor, levando contigo todos os
materiais que necessitas para o efeito:
- 2 Cestos - Lápis e Bloco de notas
- 1 Bengala - Termómetro
- Algumas Pedras - Luvas
- Material Orgânico - Solo

1) Chegaste ao local onde irás montar o teu “Compostor Escolar”. Coloca os materiais no chão e inicia a montagem.
a. Coloca o cesto maior no solo, debaixo de uma árvore.
b. De seguida, no interior do cesto maior, coloca algumas pedras e o cesto mais pequeno.
2) Agora que acabaste de instalar o Compostor, prepara o Material
Orgânico para colocares no seu interior:
a. Começa por tapar o fundo do Compostor com solo.
b. Coloca os materiais no Compostor em várias camadas, intercalando os Materiais
Castanhos (ramos, folhas secas, etc.) com os Materiais Húmidos (restos de hortaliça e de pão, borras de café, etc.).
c. Repete esta acção até teres terminado de encher o Compostor com todo o material
orgânico que reuniste.
d. Coloca uma nova camada de solo a tapar toda a superfície do Compostor.
3) Terminada a introdução do Material Orgânico no Compostor, deves controlar os factores temperatura, humidade e arejamento, durante todo o processo de compostagem:
a. Insere um termómetro no interior do Compostor, e ao fim de 10 minutos,
regista a temperatura num bloco de notas.
b. Verifica se a humidade inicial é suficiente, caso contrário, rega o conteúdo do
compostor com água.

Importante:
-> Deves efectuar medições de temperatura 1 vez por semana, ao longo de todo o processo.
-> Constrói um gráfico em papel milimétrico com o registo das medições; o eixo das abcissas terá os valores da temperatura e o eixo das ordenadas as datas da medição.
-> Quanto à humidade, deverás fazer a sua monitorização 1 vez por semana.
-> Deves ainda revolver o conteúdo do compostor 1 vez por semana, para promover o seu
arejamento.

4) O Composto está pronto a ser utilizado como fertilizante passados 4 a 8 meses do início do processo.

EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA

Recomendações do Fórum Educação para a Cidadania
3 de Jun de 2008

Assegurar a Educação para a Cidadania Global como uma componente do currículo de natureza transversal, a desenvolver em todas as áreas curriculares disciplinares e não disciplinares, ao longo de todos os ciclos de ensino, é uma das principais recomendações apresentadas no documento “Objectivos estratégicos e recomendações para um plano de acção de Educação para a Cidadania”, elaborado pela comissão de redacção do Fórum Educação para a Cidadania.

No âmbito do núcleo de reflexão Problemática da Cidadania na Escola, integrado no Fórum, as recomendações apontam para a identificação de um núcleo de competências essenciais a desenvolver transversalmente em todo o currículo, tendo em conta três eixos fundamentais: postura cívica individual, relacionamento interpessoal e relacionamento social e intercultural.

A adopção de um referencial pedagógico que inclua conteúdos concretos e constitua orientação geral para a área de Formação Cívica é outra das recomendações inseridas no documento, que salienta a importância da abordagem de temáticas relevantes na sociedade contemporânea, nomeadamente das que incidem sobre o consumo responsável, a segurança humana e os média.

Defende-se, igualmente, a abordagem de questões relacionadas com a Educação para a Cidadania Global na Área de Projecto, na medida em que esta área curricular não disciplinar favorece a articulação dos saberes de diversas áreas curriculares, quer ao nível da reflexão sobre os direitos humanos, quer no que respeita às questões emergentes na sociedade actual.

Para que a escola se assuma enquanto espaço privilegiado de exercício da cidadania, salienta-se a importância das vivências de cidadania, consubstanciadas na identificação das falhas no funcionamento do estabelecimento de ensino e no desenvolvimento de processos partilhados de resolução que permitam ultrapassá-las, com benefício para toda a comunidade educativa.

Neste sentido, as escolas devem conceber os seus projectos educativos como projectos de cidadania global, que impliquem vivências de exercício da cidadania nos diferentes espaços curriculares, disciplinares e não disciplinares, bem como nos contextos extracurriculares e não formais.

A formação inicial e contínua de professores e de outros grupos de profissionais e de agentes educativos, direccionada para a aquisição de competências para trabalhar a Educação para a Cidadania Global na escola, é considerada essencial para garantir a transversalidade da dimensão da cidadania nos conteúdos programáticos, nas metodologias e nas atitudes, em todas as situações vividas nos estabelecimentos de ensino.

Nomeadamente para a abordagem dos diversos conteúdos temáticos da Educação para a Cidadania Global, a desenvolver na área de Formação Cívica, deve ser assegurada formação específica de docentes que lhes confira habilitação adequada para o efeito.

A concepção, a adaptação, o desenvolvimento e a difusão de recursos e de materiais, destinados aos diversos ciclos de ensino, são valorizados no referido documento para servir de apoio ao trabalho de professores e de alunos.

A criação do Fórum de Educação para a Cidadania, uma iniciativa do Ministério da Educação e da Presidência do Conselho de Ministros, no ano de 2006, teve como principal objectivo a apresentação de orientações para um Plano de Acção de Educação para a Cidadania.

Presidido por Eduardo Marçal Grilo, o Fórum Educação para a Cidadania é uma iniciativa inédita em Portugal, que reúne diversas personalidades e instituições da sociedade civil que, a título independente, aceitaram dar o seu contributo intelectual e o seu empenho cívico para uma reflexão alargada sobre a cidadania.

Pretendia-se, designadamente, a identificação de práticas de referência e a apresentação de recomendações que ajudassem a concretizar um plano de acção capaz de permitir utilizar, de forma adequada, as áreas curriculares não disciplinares e, em particular, a Área de Projecto e a Formação Cívica, e de propiciar o desenvolvimento de projectos transversais nos espaços disciplinares.

Tendo em conta a pluralidade de participantes e a necessidade de situar os objectivos num contexto alargado e coerente, mas também aprofundado e pragmático, os debates organizaram-se em torno de dois núcleos de reflexão - Grandes Questões da Cidadania e Problemática da Cidadania na Escola.

O documento "Objectivos estratégicos e recomendações para um plano de acção de Educação para a Cidadania" sintetiza e integra os debates do Fórum, enquadrando e sistematizando as medidas consideradas objectivos estratégicos da Educação para a Cidadania, nomeadamente no âmbito da educação.

FORMAÇÃO CÍVICA

Organização e gestão do currículo
21 de Jul de 2008

O Ministério da Educação definiu os princípios orientadores a que devem obedecer a organização e a gestão do currículo, com o objectivo de colmatar quer a excessiva disciplinarização da função docente no 2.º ciclo, quer alguns constrangimentos ao nível do cumprimento dos objectivos e das finalidades que presidem à criação das áreas curriculares não disciplinares.

Assim sendo, importa fazer cumprir os objectivos que presidem ao ensino básico e à sua organização, os quais pressupõem o regime de professor por área no 2.º ciclo para o desenvolvimento de áreas interdisciplinares de formação básica, conforme previsto na Lei de Bases do Sistema Educativo Português.

Este conceito determina a necessidade de uma distribuição de serviço lectivo, ao nível da turma e da escola, de forma a permitir a redução do número de professores por turma, uma vez que o recrutamento dos docentes do 2.º ciclo se destina a uma determinada área curricular disciplinar. Esta organização deverá facilitar o trabalho transversal, de forma a cumprir o Projecto Curricular de Turma como instrumento decisivo para a regulação das aprendizagens e para a organização da vida escolar.

Relativamente às três áreas curriculares não disciplinares (Área Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica), pretende-se que o trabalho realizado contribua para uma intervenção conjugada dos docentes, materializada no Projecto Curricular de Turma.

Estas orientações aplicam-se aos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas com ensino básico, e têm como objecto a distribuição do serviço docente nas áreas curriculares disciplinares, ao nível do 2.º ciclo, e a identificação de algumas das actividades a desenvolver no âmbito das áreas curriculares não disciplinares.

A distribuição do serviço docente, no 2.º ciclo, passa a assegurar, sempre que possível, que cada docente leccione à mesma turma as disciplinas ou áreas disciplinares relativas ao seu grupo de recrutamento.

Cabe ao director de turma leccionar à mesma turma as disciplinas ou áreas disciplinares respeitantes ao seu grupo de recrutamento, a área curricular não disciplinar de Formação Cívica e, sempre que possível, uma das outras áreas curriculares não disciplinares.

Nos 2.º e 3.º ciclos, a área disciplinar da Formação Cívica deve ser atribuída aos directores de turma e o seu tempo curricular deve ser utilizado para, através da participação dos alunos, regular os problemas de aprendizagem e da vida da turma, bem como para desenvolver projectos no âmbito da cidadania e da participação cívica.

O módulo de Cidadania e Segurança deve ser trabalhado na área da Formação Cívica, em cinco blocos de 90 minutos, ao longo do 5.º ano de escolaridade, de acordo com uma sequência e um calendário a definir pela escola e tendo em conta as orientações da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular.

O trabalho desenvolvido em cada uma das áreas já referidas deve ser objecto de uma avaliação participada e formativa, no contexto da turma, e de uma avaliação global, no final do ano lectivo, a realizar pelo conselho pedagógico, da qual deve resultar um relatório. No final do ano lectivo, o director envia à direcção regional de educação respectiva esta avaliação global.


•Despacho n.º 19308/2008

FORMAÇÃO CÍVICA

Formação Cívica

A Formação Cívica é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da educação para a cidadania, constituindo um espaço de diálogo e reflexão sobre experiências vividas e preocupações sentidas pelos alunos e sobre questões relativas à sua participação, individual e colectiva na vida da turma, da escola e da comunidade. A actividade a desenvolver neste domínio contará com o apoio de um tempo semanal para sessões de informação e de debate que, entre outros, pode assumir o formato de assembleia de turma.

Finalidades
Desenvolver competências necessárias ao exercício da cidadania.

Desenvolver nos alunos atitudes de auto-estima, respeito mútuo e regras de convivência que conduzam à formação de cidadãos tolerantes, autónomos, participativos e civicamente responsáveis.

Promover valores de tolerância, solidariedade e respeito pelos outros.

Estimular a participação activa dos alunos na escola e na sociedade.

Proporcionar aos alunos momentos de reflexão sobre a vida da escola e os princípios democráticos que regem o seu funcionamento.

Pressupostos
Todos os momentos são propícios à reflexão sobre a educação para a cidadania, nas aulas e fora delas, na participação da organização da vida escolar, nos estudos, nas actividades desportivas, nos tempos livres, no convívio e nas regras que o orientam.

A cidadania exerce-se na participação, cooperação, tomada de decisão e expressão de opinião com liberdade e responsabilidade.

Nesta área devem ser promovidas situações de aprendizagem que integrem dimensões da vida individual e colectiva, bem como conhecimentos fundamentais para compreender a sociedade e as suas instituições.

Aquisição de competências, individualmente e em grupo, para a construção de um projecto de vida saudável nas vertentes física, psíquica e social.

Princípios orientadores
Esta componente curricular não é de exclusiva responsabilidade de um professor ou de uma disciplina, mas sim de todas as disciplinas e áreas do currículo, visto abarcar todos os saberes e abranger todas as situações vividas na escola;

De modo a favorecer o desenvolvimento desta área, existe um tempo semanal no horário dos alunos e do director de turma, destinado à informação, sistematização e aprofundamento dos assuntos;

Na sua vertente de apoio de um tempo semanal, deve:

ser planificada pelo director de turma após ouvido e o conselho de directores de turma e o conselho de turma, tendo em conta o projecto educativo, o projecto curricular de escola e de turma;

ser um espaço privilegiado para a discussão e construção de regras/normas de conduta adequadas;

constituir também um espaço de diálogo e reflexão sobre assuntos específicos apresentados pelos alunos.

Intervenientes
Esta área curricular é discutida, planificada e gerida em conselho de turma, sendo a sua operacionalização da responsabilidade do director de turma.

Avaliação
A avaliação desta área curricular não disciplinar caracteriza-se por ser descritiva, baseada na auto-reflexão, no conhecimento que o aluno tem de si próprio e da sua evolução. Este tipo de reflexão deve ser orientado pelo director de turma, podendo o mesmo recolher contributos dos professores das áreas disciplinares/disciplinas, no sentido de validar a evolução dos alunos. Compete ao conselho de turma proceder à avaliação sumativa mediante proposta do professor que lecciona a área de Formação Cívica.

EDUCAR PARA A CIDADANIA: PROPOSTAS

Educar para a Cidadania - Propostas
Educar para a Cidadania
Maria Virgínia Arantes

À luz dos Princípios e Valores orientadores do Currículo, a Educação para a Cidadania afecta transversalmente todo o processo educativo.
As competências que seguidamente se enunciam, de forma sumária e a título exemplificativo, reflectem necessidades sentidas por todos os actores envolvidos na formação do aluno. É um contributo simples e despretensioso, apenas um ponto de partida para um trabalho de reflexão, enriquecimento e adequação à realidade dos alunos que temos.
A sua operacionalização ocorrerá de forma diversificada, atendendo às idades, níveis de desenvolvimento (cognitivo, nomeadamente), solicitações, interesses e preocupações dos alunos ou turmas.
O nosso quotidiano é fértil em oportunidades de concretização, sobretudo se a nossa postura for interventiva e se não nos deixarmos prender pela premência e imprescindibilidade dos nossos conteúdos programáticos.
O Conselho de Turma, por seu lado, poderá privilegiar aspectos que considere prioritários para o grupo de alunos em questão e propor o seu aprofundamento em Formação Cívica.

Proposta de competências a desenvolver

Atitudes e valores
A Educação para a Cidadania capacitará o aluno a:

o Compreender os limites da liberdade individual.
o Comportar-se de forma solidária com os que o rodeiam.
o Participar em acções ou campanhas de solidariedade.
o Orientar as suas atitudes pelo respeito por si e pelos outros.
o Valorizar a importância da amizade.
o Actuar com honestidade e lealdade.
o Valorizar a justiça.
o Fazer juízos valorativos.
o Antecipar, ao nível moral, as consequências dos seus actos.
o Resolver dilemas morais.
o Avaliar criticamente atitudes, mensagens, à luz dos valores.
o Aceitar diferentes credos e formas de viver.
o Avaliar e defender o respeito pelos Direitos Humanos.
o Relacionar criticamente progresso e dignificação do Homem.
o Revelar sensibilidade à Beleza.
o Compreender a função distintiva dos Valores na sexualidade humana.

Desenvolvimento pessoal
A Educação para a Cidadania capacitará o aluno a:

o Saber ouvir.
o Exprimir ideias e pontos de vista.
o Informar-se.
o Trabalhar de forma autónoma.
o Reflectir e autoquestionar-se.
o Pedir ajuda, apoio, conselho.
o Tomar decisões.
o Interpretar sentimentos.
o Exteriorizar emoções.
o Controlar emoções.
o Analisar os seus pontos fracos / pontos fortes.
o Formular objectivos para si próprio.
o Traçar metas para o seu desenvolvimento.
o Antecipar as consequências dos seus actos.
o Resistir a pressões ou influências.
o Adaptar-se a mudanças.
o Avaliar o seu desempenho.
o Propor soluções para uma situação ou problema.
o Saber prevenir situações de risco.
o Questionar-se em função de padrões de vida saudável.
o Ter hábitos de higiene.
o Compreender os efeitos positivos da prática regular de exercício físico.
o Compreender modificações físicas e emocionais ligadas à sexualidade.

Desenvolvimento interpessoal/social
A Educação para a Cidadania capacitará o aluno a:

o Saber ouvir.
o Participar num debate/argumentar.
o Autodisciplinar a sua participação.
o Aceitar pontos de vista diferentes dos seus.
o Interpretar reacções.
o Ser sensível a sentimentos.
o Evitar situações de conflito.
o Negociar.
o Resolver conflitos.
o Criar empatia com os outros.
o Analisar pontos fracos /pontos fortes nos outros.
o Apreciar qualidades e competências.
o Trabalhar com os outros.
o Partilhar saberes.
o Empenhar-se na resolução de dificuldades dos outros.
o Cooperar na busca de soluções para situações ou problemas.
o Participar em projectos colectivos.
o Avaliar criticamente o desempenho dos outros.
o Adaptar-se a situações comunicacionais diversas.
o Relacionar-se correctamente com os seus pares e com os adultos.
o Consciencializar-se da importância do indivíduo no bem-estar colectivo.
o Ser sensível ao sofrimento físico e emocional.
o Aceitar a diferença (individual, cultural, ...).
o Implicar-se na defesa do ambiente.
o Tomar posição perante agressões ao ambiente.
o Participar na definição de regras de funcionamento e convivência.
o Descobrir a importância ou a simbologia das heranças culturais da sua comunidade.
o Compreender o funcionamento e a finalidade de instituições ou organizações.

CIDADANIA/CIDADÃO

Conceito de cidadania | cidadão
A. "A cidadania é responsabilidade perante nós e perante os outros, consciência de deveres e de direitos, impulso para a solidariedade e para a participação, é sentido de comunidade e de partilha, é insatisfação perante o que é injusto ou o que está mal, é vontade de aperfeiçoar, de servir, é espírito de inovação, de audácia, de risco, é pensamento que age e acção que se pensa."

Jorge Sampaio, in Educar para a Cidadania, Maria de Lourdes L. Paixão, Lisboa Ed.


B. "A educação para a cidadania constitui uma garantia da democracia e só pode realizar-se em contextos experienciais democráticos. Diz respeito a todas as instituições de socialização, de formação e de expressão da vida pública, mas, naturalmente, cabe aos sistemas educativos desenvolverem, nas crianças e nos jovens, os saberes e as práticas de uma cidadania activa.
Na última década, várias organizações internacionais têm vindo a apresentar aos governos e à opinião pública propostas que desenvolvem o conceito de educação para a cidadania, enumerando os valores que a devem sustentar e sugerindo estratégias educativas.
São de referir, em especial, o projecto do BIE/ UNESCO "Que educação para a cidadania?", o projecto do Conselho da Europa "Educação para a Cidadania Democrática", o relatório da EU "Construir a Europa pela Educação e a Formação" e o relatório Delors da Unesco "A Educação, um Tesouro a Descobrir". Os quatro são convergentes nos objectivos e nas orientações:
- o desenvolvimento humano; a participação democrática; a coesão social.
As componentes de uma educação para a cidadania estão abrangidas no emblemático conjunto de aprendizagens fundamentais, referido no relatório Delors pelos quatro pilares da Educação:
- aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a ser; aprender a viver juntos.
Neles podemos reconhecer a formação pessoal para a autonomia moral e a responsabilidade, o conhecimento e o juízo crítico, a empatia e a comunicação, bem como a formação social para a escolha e a decisão, a cooperação, a intervenção e o compromisso, que constitui o quarto pilar inovador: aprender a viver juntos."

Maria de Lourdes L. Paixão, Educar para a Cidadania, Lisboa Ed. (texto adaptad

Objectivos Gerais da Formação Cívica

Desenvolver competências necessárias ao exercício de cidadania;
Promover atitudes de auto-estima, respeito mútuo e regras de convivência que conduzam à formação de cidadãos autónomos, participativos e civicamente responsáveis;
Promover valores de tolerância e solidariedade;
Estimular a participação dos alunos na vida da turma, da escola e da comunidade.

Objectivos Específicos da Formação Cívica

Debater os problemas da turma e resolver conflitos;
Valorizar as experiências vividas e sentidas pelos alunos;
Promover o diálogo e a reflexão sobre questões relativas à participação/actuação individual e colectiva nos diferentes espaços da escola, recorrendo a atitudes normas e valores que visem a sua preservação e melhoria.
Promover o diálogo e a reflexão sobre as regras de convivência e respeito mútuo na comunidade educativa, questionando comportamentos, atitudes e valores;
Consciencializar os alunos para a importância das relações humanas e a existência de regras de conduta social;
Adquirir hábitos de participação democrática ao nível do debate de ideias;
Aprender a exprimir opiniões fundamentadas.

METODOLOGIAS

Metodologias pedagógicas activas utilizando estratégias como:
Trabalho de Grupo;
Debates;
Pesquisa orientada de textos e imagens;
Visionamento de Vídeos e DVDs
Presença na escola de membros da comunidade e convidados;
Organização de um “Diário de Formação Cívica” (caderno de reflexão de cada aluno sobre temáticas tratadas).
• Assembleia de turma (por ex. para resolução de problemas);
• Debate;
• Diálogo e intercâmbio de experiências vividas pelos alunos;
• Actividades lúdicas, como ponto de partida para discussão de temas;
• Dramatizações;
• Visionamento e discussão de filmes;
• Leitura e discussão de histórias, biografias, factos, notícias, etc.;
• Intervenção activa na escola e na comunidade;
• Divulgação de actividades/resultados.

OUTROS TÓPICOS PARA AVALIAÇÃO

NÃO SATISFAZ
Não intervém nas tarefas/actividades;
Não manifesta empenhamento;
Não é responsável;
Não tem sentido crítico;
Revela pouca tolerância/respeito pelos outros alunos e fraco sentido de justiça;
Não colabora e raramente coopera com solidariedade;
Revela pouca consciência democrática;
Tem fraca capacidade de diálogo
Não participa de forma organizada
Não respeita as ideias dos outros
Não colabora nas actividades propostas
Não realiza as actividades propostas
Não revela sentido de responsabilidade

SATISFAZ
Intervém nas tarefas/actividades;
Manifesta empenhamento;
É responsável;
Tem sentido crítico;
É tolerante, respeitador, e revela sentido de justiça;
Colabora e coopera com solidariedade;
Revela consciência democrática;
Tem capacidade de diálogo.
Participa de forma organizada
Respeita as ideias dos outros
Colabora nas actividades propostas
Realiza as actividades propostas
Revela sentido de responsabilidade

SATISFAZ BEM
Intervém com muito entusiasmo nas tarefas /actividades;
Manifesta muito empenho;
É muito responsável e tem sentido crítico muito desenvolvido;
É muito tolerante, muito respeitador e tem sentido de justiça;
Colabora activamente e coopera com solidariedade;
Tem consciência democrática;
Dialoga com muita facilidade.
Participa sempre de forma organizada
Respeita sempre as ideias dos outros
Colabora sempre nas actividades propostas
Realiza sempre as actividades propostas
Revela sempre sentido de responsabilidade

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PLANIFICAÇÃO

Planificação da Área Curricular não disciplinar de FORMAÇÃO CÍVICA
UNIDADE – Educação Ambiental

CONTEÚDOS
- A poluição pelos resíduos sólidos
- A poluição sonora
- A poluição da água
- A importância da água
- A poluição do ar
- Direitos dos animais
- Incêndios florestais
- Áreas protegidas

OBJECTIVOS- Sensibilizar para os problemas que perturbam o equilíbrio ambiental
- Compreender a responsabilidade individual na preservação do ambiente e da vida na terra
- Ajudar à alteração de hábitos que perturbem o meio ambiente
- Estimular projectos de intervenção social na defesa e recuperação do património ambiental
- Compreender a necessidade de existência de regras para a protecção da natureza
- Reconhecer os direitos dos animais
- Promover o reconhecimento do meio ambiente como património colectivo de valor universal, que a todos compete preservar

ESTRATÉGIAS / ACTIVIDADES
Realização de fichas de trabalho, individualmente ou em pequenos grupos
- Debate em grande grupo
- Realização de pequenos trabalhos de grupo, alusivos aos temas em estudo, dentro ou fora da sala de aula

RECURSOS
- Fichas de Trabalho

AVALIAÇÃO- Observação directa
- Registo em grelha da participação e comportamentos dos alunos
- Auto e hetero avaliação

SEGURANÇA: ACIDENTES DOMÉSTICOS

ACIDENTES DOMÉSTICOS
Conhecer para prevenir

REGRAS GERAIS DE SEGURANÇA
Afixa em local bem vísivel o número nacional de emergência 112, o telefone dos bombeiros e da PSP.

Nas ausências prolongadas deves fechar as torneiras de segurança do gás e da água. Os teus pais devem fornecer uma chave de casa a um vizinho ou familiar.


Não utilizes os elevadores em caso de incêndio.

Não abras a porta a estranhos.

Não coloques obstáculos nas escadas. Mantém as saídas desimpedidas.

Os teus pais devem ter sempre um extintor em boas condições de funcionamento.


Não armazenar produtos inflamáveis nas arrecadações.


Não deves mexer nos produtos tóxicos e medicamentos guardados nos armários.


Coloca anti-derrapantes na banheira e nos tapetes.


Evita mexer em fósforos e velas, principalmente se estiveres sozinho em casa.



UTILIZAÇÃO DE GÁS


Pede aos teus pais para verificarem periodicamente o estado de conservação da instalação do gás, nomeadamente das tubagens e das braçadeiras.


Se sentires cheiro a gás abre as portas e janelas.

Não faças qualquer tipo de chama, nem utilizes os interruptores eléctricos.

Fecha as válvulas de segurança do gás.


Nunca deve ser excedido 1/3 da capacidade das frigideiras, pois o óleo pode inflamar-se.



As garrafas de gás não devem ser guardadas em caves ou deitadas.


UTILIZAÇÃO DE ELECTRICIDADE

As tomadas não devem ser sobrecarregadas.


Não deves colocar roupa a secar em cima dos aquecedores.

Não mexas em aparelhos eléctricos com as mãos molhadas.

COMO TRABALHAR EM GRUPO

O Trabalho de Grupo é uma técnica que vais utilizar muitas vezes durante a tua vida escolar.
Para que possas tirar proveito deste tipo de trabalho, tens aqui algumas pistas de orientação:

Sê assíduo e pontual
 Ocupa rapidamente o teu lugar (que deve ser sempre o mesmo)
 Não percas tempo, inicia o teu trabalho
 Respeita o trabalho dos outros, falando em voz baixa
 Não interfiras no trabalho dos outros grupos
 Regista sempre as tarefas realizadas em cada sessão
 Deixa o teu lugar limpo e arrumado

Há outro tipo de regras que dizem, igualmente respeito ao trabalho de grupo:

 A planificação do trabalho deve ser feita por todo o grupo
 A distribuição das tarefas dentro do grupo, deve ficar registada em folha própria
 O tempo para a pesquisa, execução das tarefas, discussão das ideias, registo das conclusões, deve ficar registado numa planificação, devendo ser respeitado e cumprido.
 Sintetização conjunta dos vários contributos e ideias surgidas.

Vantagens do trabalho de grupo:
enriquecimento do trabalho;
socialização e desinibição dos alunos mais tímidos;
respeito pela opinião alheia;
economia de tempo face ao esforço a aplicar;
aprendizagem da vivência democrática;
estímulo à pesquisa;
responsabilização individual;
rápida circulação de ideias e maior entusiasmo pelas tarefas

ACTIVIDADES : ASPECTOS POSITIVOS

ACTIVIDADES PROPOSTAS:

1. REFORÇO DOS ASPECTOS POSITIVOS

É frequente o surgimento de brigas e de insultos entre os alunos. Às vezes eles deixam marcas que demoram a passar. Há alunos que não se sentem apreciados pelos outros e, quantas vezes, não o são também por si próprios. Há alunos que são muito impulsivos, que têm dificuldade em tomar a perspectiva dos outros e atribuem acontecimentos insignificantes a más intenções dos colegas. Na aula de Formação Cívica podem ser desenvolvidas actividades, tais como jogos e dramatizações, que tenham como objectivo reforçar o conhecimento inter e intrapessoal, orientado para os aspectos positivos de cada indivíduo. É esse o objectivo das actividades aqui sugeridas.

1ª actividade:

Um aluno sai da sala. A turma refere aspectos que aprecia nesse colega, os quais são registados no quadro. O aluno é chamado e tenta adivinhar quem referiu cada um dos aspectos mencionados. Convém estabelecer um número fixo de referências a fazer sobre cada aluno, para que não haja diferença entre eles.

Regras fundamentais a respeitar:

•Só podem ser referidos aspectos positivos.
•Ninguém pode troçar nem ser indelicado ou desagradável.

2ª actividade:

É necessária um bola pequena e leve, que será lançada de aluno para aluno, ou um objecto que sirva de testemunho, que irá passar de mão em mão. O professor lança a bola para um aluno, ou passa o testemunho para o primeiro aluno de uma das filas. Este irá referir um aspecto positivo de um colega da turma, felicitando-o por ele ou agradecendo-lho. Em seguida lançará a bola para um colega ou passará o testemunho àquele que estiver mais próximo. Repete-se o procedimento.
Regras:
Se um aluno não quiser mesmo participar, pode passar a bola ou o testemunho, sem se pronunciar. Contudo, convém incentivar a participação de todos.
Ninguém pode referir aspectos negativos.
Não pode haver reacções negativas (verbais ou não verbais) ao que cada aluno diz.

Exemplos de apreciações que podem ser feitas pelos alunos:

- Obrigada, Susana, por me teres telefonado quando eu faltei.
- Eu gosto de jogar futebol com o Albano. Ele respeita as regras e não anda à pancada.

Comentário: É interessante observar o prazer com que os alunos se envolvem neste tipo de jogos. Eles são levados a ver os outros de uma forma positiva e a verem os aspectos que os outros consideram positivos em si. Fomenta-se a tolerância e promove-se a auto-estima. Passo a passo, vão sendo criadas condições para que as relações interpessoais na turma sejam melhores, com a diminuição de conflitos e a sua resolução de uma forma mais adequada.

SINAL DE ALARME NA TUA ESCOLA: INSTRUÇÕES

INSTRUÇÕES GERAIS DE EVACUAÇÃO
1-SINAL DE ALARME

Se houver uma situação de emergência, soará um sinal de alarme interrompido.
2- PROTECÇÃO
Coloca-te debaixo de uma mesa e conta, lentamente, até dez.
3-SAÍDA
Segue o PERCURSO VERDE até à saída do edifício.
4- COORDENAÇÃO
A coordenação da evacuação é feita pelo professor e um aluno. Este aluno é o CHEFE DE FILA e o professor é o CERRA-FILA, sendo o último a sair. Deverá levar o Livro de Ponto para fazer a chamada no Ponto de Encontro.
5- MATERIAL ESCOLAR
Em caso de evacuação urgente, não te preocupes com o MATERIAL ESCOLAR e VALORES. Sai e não voltes atrás.
6- FILA INDIANA

Todos os alunos devem sair em FILA INDIANA, sem corridas, mas em passo apressado e encostados à parede.
7-INSTRUÇÕES
Não pares nas saídas! Nas escadas e saídas há um Coordenador de Saída. Segue sempre as suas Instruções.
8 PONTO DE ENCONTRO
Em caso de evacuação, existe um PONTO DE ENCONTRO, indicado nas plantas de evacuação, para onde deves ir.
9-MANTÉM-TE NO PONTO DE ENCONTRO
Deves manter-te sempre no PONTO DE ENCONTRO até serem dadas outras instruções pelo teu professor ou pela direcção da escola.






quarta-feira, 10 de março de 2010

ASSEMBLEIA DE TURMA: CONTRATO CONSTITUINTE

ESCOLA EB 2,3/S DE ALFÂNDEGA DA FÉ
CONTRATO CONSTITUINTE
Entre os alunos e entre estes e os professores da turma é celebrado o presente Contrato Constituinte da Assembleia de Turma.
1. Os professores da turma comprometem-se a:
- informar regularmente o Director de Turma sobre o aproveitamento e comportamento dos alunos;
-participar nos conselhos de turma que forem legalmente convocados;
-a usar estratégias e métodos adequados à turma.
2. Os alunos comprometem-se a:
- participar nas Assembleias de Turma que forem convocadas pelo Director de Turma, pelo Delegado de Turma ou dois terços dos alunos da turma:
-debater os problemas da turma e apresentar propostas de resolução ou de melhoria;
- a cumprir os trabalhos propostos pelos professores ;
- a ter um comportamento adequado na sala de aula;
- a estudar.
3. O Director de Turma compromete-se a:
- coordenar e a impulsionar o funcionamento da Assembleia de Turma;
-dinamizar a elaboração do estatuto da turma e o regimento da Assembleia de Turma;
- informar os alunos sobre o seu aproveitamento/comportamento e assiduidade.
Assembleia de Turma do 8º A
Ano lectivo de 2009/2010
O Director de Turma:______________
O Aluno:_______________________

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BULLYING


Bullying na escola from Bullying na escola on Vimeo.


O bullying é um comportamento que se caracteriza pela ameaça ou agressão (psicológica ou verbal) de forma intencional e repetida e que ocorre sem motivação evidente.
Este comportamento é praticado por um sujeito (designado de bully - valentão) ou por um grupo de sujeitos, com o objectivo de intimidar ou agredir outro sujeito ou grupo de sujeitos. É perpetado por crianças ou jovens que têm, por qualquer motivo, mais força e poder que a vítima.
A escola é um dos lugares onde o bullying é praticado com frequência, uma vez que neste espaço convivem diariamente crianças e/ou adolescentes. Pode ocorrer dentro ou fora da escola, em zonas onde a supervisão adulta é mínima ou inexistente e não está restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.
O bullying é um problema grave que acontece todos os dias, um pouco por todo o mundo, e que pode levar a vítima à depressão, à perda de auto-estima e, em último caso, ao suicídio conhecido por "bullycide".
Caracterização do bullying
O bullying divide-se em duas categorias:
Bullying directo - é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos;
Bullying indirecto - conhecido como agressão social, é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social.
Este isolamento é obtido através de várias técnicas (espalhar comentários; intimidar outros que desejam relacionar-se com a vítima; criticar o seu modo de vestir, a sua etnia ou religião, incapacidades…).
Existem 5 tipos de actores co-implicados no bullying:
1.Agressor – pretende obter força, poder e domínio; ter fama e popularidade na escola amedrontando os outros;
2.Vítima;
3.Defenders – alunos que defendem as vítimas e são contra o bullying;
4.Bystanders – alunos que presenciam a situação e reforçam positivamente a acção do agressor;
5.Outsiders – alunos que não se manifestam nem de forma positiva nem de forma negativa perante o bullying.
A potencial vítima pode ser uma criança ou um jovem que apresente determinada característica que a torne um alvo fácil, como por exemplo, ser mais gorda/magra, gaguejar, usar óculos... Os pais e educadores devem estar atentos a possíveis sinais (fobia à escola, baixo rendimento, depressão, baixa auto-estima, etc.) que possam surgir por parte dos filhos ou alunos. O bullying não deve ser confundido com as brincadeiras que normalmente acontecem na infância e adolescência.
Técnicas de bullying
Os bullies combinam a intimidação e a humilhação para atormentar os outros. Por exemplo:
Roubar e/ou danificar objectos pessoais de uma pessoa, como livros ou material escolar, roupas… Espalhar rumores e comentários negativos sobre a vítima (trocar e passar mensagens ou bilhetes falando mal da pessoa em causa);
Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando-a;
Fazer comentários negativos sobre a família da pessoa, sobre a sua aparência pessoal, orientação sexual, religião, raça, nível de vida, nacionalidade…
Levar a vítima ao isolamento social;
Praticar o cyberbullying (criar páginas falsas sobre a vítima em variados sites);
Fazer chantagem;
Utilizar expressões ameaçadoras;
Chamar nomes aos colegas;
Agredir física e/ou verbalmente colegas, de forma sistemática e prolongada no tempo;
"Fazer chacota" (cochichar) continuamente sobre a vítima;
Tirar bens aos colegas (dinheiro, objectos pessoais...).
Efeitos do bullying
Quando praticado de forma persistente pode ter um ou vários efeitos no sujeito e/ou no ambiente onde ocorre.
Efeitos sobre o sujeito:
Ansiedade Sensibilidade a determinadas brincadeiras
Perda de auto-estima
Tristeza e irritação
Medo de expressar emoções
Problemas de relacionamento
Abuso de drogas e álcool
Auto-mutilação e mesmo suicídio (bullycídio)
Efeitos no ambiente escolar:
Níveis elevados de abstinência escolar
Alta rotatividade do quadro de pessoal
Desrespeito pelos professores
Número de faltas elevado
Porte de arma por parte de crianças com o objectivo de se protegerem
Quais são as consequências do Bullying sobre o ambiente escolar?
Quando não existe uma intervenção efectiva contra o bullying, o ambiente escolar torna-se problemático. Todos os intervenientes no espaço escolar são (sem excepção) afectados de forma negativa, passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo que poderão desencadear outros ainda mais graves para a sociedade, como o abandono escolar, doenças psicossociais...
Para a eliminação da violência na escola, devem ser criadas e tomadas as medidas necessárias por parte das entidades responsáveis. Quando são bem aplicadas e é envolvida toda a comunidade escolar, contribuem para o convívio saudável e equilibrado, ou seja, para a formação de uma cultura de não-violência na escola, e de uma forma mais geral, na sociedade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

RACISMO

O fenómeno do racismo está presente nas nossas vidas, quer directamente quer através das notícias divulgadas pelos media. Saiba como surgiu, quem o apoia e quem o combate

A luta contra o racismo e a xenofobia
Combatendo o racismo e a xenofobia

Por todo o mundo, o fenómeno do racismo e da xenofobia faz-se sentir de forma mais ou menos evidente.
Por toda a parte surgem organizações cujos objectivos são travar o desenvolvimento deste fenómeno. São já numerosas as organizações que lutam contra o racismo e a xenofobia por todos os cantos do mundo.
Portugal não é excepção na luta contra o racismo. A organização com mais visibilidade no nosso país é, indubitavelmente, o SOS Racismo.
Criado no dia 10 de Dezembro de 1990, Dia Internacional dos Direitos Humanos, o SOS Racismo propõe-se lutar contra os preconceitos e comportamentos racistas e xenófobos no nosso país.
Para isso, assume uma intervenção junto das escolas, participando em debates ou outras actividades relacionadas com o racismo e a xenofobia, fornece apoio jurídico em situações de discriminação racial ou xenófoba e assume posições públicas contra todos os actos ou comportamentos racistas em Portugal.
Porque é nas grandes cidades que se concentra a maior parte das minorias étnicas, a cidade de Lisboa conta com um Conselho Municipal das Comunidades Imigrantes e Minorias Étnicas desde 1993.
O seu principal objectivo é garantir a participação das comunidades imigrantes e das minorias étnicas nas políticas locais, contribuindo assim para a sua integração plena na sociedade e contrariando os fenómenos de discriminação.
A zelar pelo cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos em todo o mundo está a Amnistia Internacional. Esta organização “vigia” os comportamentos contrários aos direitos humanos e zela pelas minorias vítimas de discriminação ou maus tratos.
Trabalha fundamentalmente no sentido de libertar todos os presos “de consciência”, ou seja, todos aqueles que foram privados da liberdade devido às suas convicções, cor da pele, sexo, origem étnica ou religião.
A UNITED – Rede Europeia contra o Nacionalismo, Racismo, Fascismo e Apoio a Migrantes e Refugiados, é uma rede de cooperação entre mais de 500 organizações de 49 países europeus. Trabalha no sentido da defesa dos refugiados e dos imigrantes e tem como objectivo principal o fim do racismo, do nacionalismo e da discriminação.
Referimos apenas algumas das organizações que actuam lutando contra todos os tipos de discriminação. Existem muitas mais espalhadas pelo mundo mas os seus objectivos são, regra geral, os mesmos.

Definir conceitos
O que é...
o racismo?
O racismo é “a crença na superioridade de uma raça ou grupo étnico, acompanhada, a maioria das vezes, por preconceitos contra os membros de um grupo étnico diferente(1)”.
Por outras palavras, o racismo consiste em acreditar na inferioridade do “outro” devido a diferenças culturais, étnicas, sociais, raciais, etc. No fundo, é uma atitude de intolerância em relação ao que é diferente.
Os racistas definem a noção de “raça” como sendo um grupo de pessoas com a mesma ascendência e com características físicas que os diferenciam, como a cor da pele e o aspecto do cabelo.
No entanto, cientificamente, esta noção de “raça” não existe, pois não existe nenhum fundamento biológico nesta definição. A Biologia só identificou uma raça: a raça humana.
Actualmente, existe uma nova vertente no racismo que considera que todas as raças e culturas são iguais mas não se devem misturar, para que possam conservar a sua originalidade.
(1) in Enciclopédia Universal, Texto Editora.
a intolerância?
Dá-se o nome de intolerância à falta de respeito pelas práticas e convicções do “outro”, do que é diferente. Surge nas sociedades em que não se dá o direito ao “outro” de manifestar as suas opiniões ou os seus actos culturais.
Basicamente, a intolerância não aceita a diferença, seja ela a nível religioso, sexual ou cultural. As atitudes de intolerância estão na base do racismo, do anti-semitismo, da xenofobia e de todos os tipos de discriminação.
São os comportamentos intolerantes que dão origem, muitas vezes, à prática de actos violentos contra quem é diferente.
a discriminação?
A discriminação é um comportamento que despreza e exclui o “outro”. Os comportamentos discriminatórios por parte dos grupos que se consideram “superiores” tendem a excluir da sociedade os grupos “minoritários”, impedindo-lhes o livre acesso a alguns postos de trabalho e até à utilização de certos serviços.
O exemplo mais significativo de discriminação foi o regime de apartheid que existiu na África do Sul durante quase 50 anos e que dividiu o país e as suas estruturas entre brancos e negros.
a xenofobia?
A xenofobia é “o medo (fobia) ou um forte desagrado por estranhos ou por alguém estrangeiro ou diferente(1)”. Este conceito está, muitas vezes, intimamente ligado ao de racismo.
(1) in Enciclopédia Universal, Texto Editora.

Raça
Conceito de Raça

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume, de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Lágrima de preta, de António Gedeão.

Apesar de a noção de “racismo” assentar sobre as alegadas diferenças entre as “raças”, a verdade é que a Biologia já mostrou que o conceito de “raça” baseado na diferença da cor da pele não existe.
Como se sabe, a diferença da cor de pele é a principal barreira a ultrapassar nas questões relacionadas com o racismo. No entanto, as diferenças na cor da pele de dois indivíduos de “raças” diferentes consistem apenas e só na maior ou menor concentração de um pigmento chamado melanina.
A melanina é um pigmento castanho-negro que se encontra na pele de todos os indivíduos. A cor da pele dos humanos varia em função da quantidade de melanina existente nas camadas profundas da pele e da sua disposição.
Quanto mais melanina existir na pele de uma pessoa, mais escura esta será.
As variações de cor de pele que existem nas várias populações humanas devem-se, principalmente, ao meio em que estão inseridas. Os povos que vivem em zonas mais quentes, como, por exemplo, a África e a Ásia do Sul e Oceânica, apresentam tons de pele muito mais escuros do que os povos que vivem mais afastados dos trópicos.
O maior contraste é entre estes povos que vivem perto dos trópicos e os povos nórdicos, que têm a pele muito mais clara.
Mais uma vez, é a melanina que explica estas diferenças, pois este pigmento serve para proteger a pele da radiação solar, que é, evidentemente, muito mais forte nas zonas mais próximas dos trópicos.
Assim, os homens não são “negros”, “amarelos” ou brancos. Simplesmente, uns têm a pele mais clara e outros têm a pele mais escura.
Defensores do racismo
Os primeiros doutrinários do racismo
O racismo é um fenómeno social de tal forma difundido que, a par daqueles que sempre o condenaram, estão aqueles que o defenderam nos seus escritos.
Arthur de Gobineau (1816-1882)
Autor do Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas, Arthur de Gobineau era um defensor do conceito de superioridade da raça ariana. Segundo ele, a pertença à raça é o factor de desenvolvimento das civilizações. Para Gobineau, existem três raças:

•a branca, que, animada pela honra, goza de uma “aptidão civilizadora”;
•a negra, “a variedade mais modesta que jaz no fundo da escala”;
•a amarela, cuja “tendência natural não é senão a mediocridade”.

Citação: Não existe verdadeira civilização nas nações europeias enquanto nelas os ramos arianos não forem os dominantes.

Houston Stewart Chamberlain (1855-1927)

Chamberlain era um inglês naturalizado alemão que tinha um verdadeiro fascínio pela Alemanha. Genro de Richard Wagner, Chamberlain foi o inspirador das teorias do nazismo.
As suas teorias nazis baseavam-se no que ele considerava ser a pureza do sangue germânico. Segundo este pensador, a raça está inscrita na consciência, sendo, portanto, a partir de critérios morais que se revela a pertença à raça. Considera que uma “disciplina da raça” pode, por selecção, tender à reconstrução de uma “raça nobre”.
Chamberlain chegou a misturar raça e religião, afirmando que Cristo era um ariano que “não tinha nas suas veias uma só gota de sangue judeu”. Considerava também que era necessário desembaraçar o cristianismo da sua “aparência estrangeira para criar uma religião adaptada à essência do nosso tipo germânico”.

Citação: Mesmo que estivesse provado que nunca existiu uma raça ariana no passado, quereríamos que existisse uma no futuro: para os homens de acção, eis o ponto de vista do futuro.

Georges Vacher de Lapouge (1854-1936)

Autor de O Ariano e o seu Papel Social, Georges Vacher de Lapouge forneceu os elementos fundadores do anti-semitismo nazi. Com uma visão racial e racista do mundo, de Lapouge considerava que apenas a raça branca, ariana e dolicocéfala (com o crânio mais comprido do que largo) era portadora de grandeza.
Georges Vacher de Lapouge leva a cabo a classificação e hierarquização das raças:
•o homo europaeus forma a elite: louro, teutão ou nórdico, é protestante, dominador e criador;
•o homo alpinius (o auvergnat e o turco) é o “perfeito escravo temeroso do progresso”;
•o homo mediterraneus (o napolitano e o andaluz) pertence às “categorias inferiores”.

Citação: Arrogante no sucesso, servil nos desaires, grande acumulador de dinheiro, com uma inteligência notável, o judeu é impotente na criação.
Adaptado de Racismo, de Jacques Tarnero, Texto Editora.

Episódios racistas da História
História do Racismo


A intolerância entre os homens e, por consequência, o racismo e todos os tipos de discriminação, surgiram em simultâneo com o aparecimento do Homem.
Desde sempre o Homem teve tendência a discriminar aqueles que julgava serem inferiores.
À escala mundial, o racismo surgiu na época dos Descobrimentos e teve como principais protagonistas todos os povos colonizadores.
Os portugueses não foram excepção, antes pelo contrário, porque aquando da Descoberta do Brasil, os nossos antepassados quinhentistas fizeram uma verdadeira “exportação” de africanos para as colónias brasileiras. Nessa época, acreditava-se que os negros de África eram mais resistentes fisicamente do que os indígenas brasileiros.
Assim começou o fenómeno da escravatura e da submissão dos negros, um dos mais significativos exemplos de racismo da História da Humanidade.
A escravatura alastrou ao mundo inteiro e deu mesmo origem a guerras civis, como foi o caso da Guerra da Secessão (1861-1865), nos EUA, entre o Norte (os abolicionistas) e o Sul (os esclavagistas).
Actualmente, a escravatura foi abolida oficialmente mas os preconceitos dos brancos em relação aos negros ainda se mantêm nalgumas mentes. O racismo ainda apresenta, assim, alguma relação com a escravatura.
Mas não foi só a escravatura que serviu de espelho ao fenómeno do racismo pelo mundo.
O anti-semitismo nazi que levou à morte de milhões de judeus no Holocausto, o regime de apartheid que governou a África do Sul durante quase 50 anos, as guerras étnicas um pouco por toda a parte, das quais são exemplo o conflito étnico no Ruanda entre hutus e tutsis, todos estes exemplos demonstram a intolerância e os comportamentos racistas que proliferaram por todo o mundo.
Há já algum tempo que se tenta explicar o fenómeno do racismo. Mas, se há cientistas a tentar provar ao mundo que as raças não existem, outros há que tentam demonstrar as suas teorias racistas.
Durante o séc. XIX, as principais polémicas racistas baseavam-se na craniometria, ou seja, na medição do crânio humano.
Os defensores desta prática consideravam que a “raça branca” possuía crânios maiores, o que lhe conferia um maior grau de inteligência. Actualmente, sabe-se que o tamanho do crânio nada tem a ver com a inteligência.
No séc. XX, a craniometria foi substituída pelos testes de inteligência criados por Alfred Binet. Muitas teorias racistas apoiam-se nestes testes para evidenciarem a superioridade da raça branca. No entanto, estes testes não podem ter credibilidade porque assentaram em amostras de população negra da classe média e branca da classe alta.
Assim sendo, não estavam estabelecidas as condições de igualdade socio-cultural que seria necessária para efectuar este tipo de testes.
Na questão do racismo, o único dado perfeitamente adquirido é o de que os comportamentos racistas sempre existiram e, em maior ou menor escala, tendem a continuar a existir enquanto não houver tolerância em relação às diferenças do “outro”.
Compreender e aceitar a diferença é o primeiro passo para uma sociedade livre de preconceitos e de atitudes racistas e discriminatórias.

Nazismo
O regime nazi e o Holocausto

O regime nazi, que vigorou na Alemanha na primeira metade do séc. XX, deixou como maior legado o extermínio de milhões de judeus.
Defensores de um racismo exacerbado que considerava a raça ariana como a mais pura e superior, os nazis, comandados por Adolf Hitler, escravizaram e exterminaram milhões de judeus durante o período que ficou tristemente conhecido na História como Holocausto.
O nazismo era a ideologia do Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores, que foi formado a partir do Partido Alemão dos Trabalhadores e liderado por Adolf Hitler de 1921 a 1945.
O regime nazi baseava-se no nacionalismo e no racismo para exaltar a supremacia da raça ariana e do Estado sobre o indivíduo.
Quando Hitler alcançou o poder, em 1933, iniciou uma verdadeira política de perseguição aos judeus e de opressão aos católicos. Para Hitler, “raça ariana” opunha-se a “raça judaica” e a sobrevivência da nação alemã dependia da protecção e da pureza do sangue ariano.
O racismo face aos judeus, ou anti-semitismo, baseava-se na crença de que os judeus eram um corpo parasita, fermento de decomposição da nação ariana.
Na sua obra Mein Kampf, Hitler apresenta os judeus como “bacilos que envenenam as almas”.
Três meses depois de chegar ao poder, Hitler iniciou a propaganda anti-judaica. Foram criadas leis que excluíam os judeus das principais funções públicas e profissões e que os privavam de todos os direitos políticos.
Seguiram-se mais leis discriminatórias que culminaram nas leis de Nuremberga, de Setembro de 1939, que codificavam as condições de “cidadania”: “Para ser cidadão do III Reich, é necessário ser de sangue alemão e de linhagem alemã”.
Daí até ao Holocausto foi um pequeno passo. Milhões de judeus foram literalmente exterminados em campos de concentração munidos de câmaras de gás, fuzilados e enforcados pelas forças nazis.
Entre 1933 e 1945, cerca de 6 milhões de judeus foram executados naquela que foi eufemisticamente designada como a “solução final” para a questão judaica.
Depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, com a derrota dos alemães, os Aliados tentaram eliminar o racismo e o anti-semitismo na República Federal da Alemanha. Assim, a partir de 1960, os comportamentos anti-judaicos passaram a ser considerados crime.
No entanto, e apesar das políticas anti-fascistas, no início da década de 1980 começaram a surgir grupos anti-semitas e de extrema-direita na Alemanha.
Um relatório de 1998 da Polícia Alemã revela que, nesse ano, existiam 37 000 membros de partidos de extrema-direita, 6400 skinheads, neo-nazis com tendências violentas e 2600 skinheads não necessariamente violentos.
Apesar de já terem passado mais de 50 anos sobre a vigência do regime nazi, ainda existem zonas na Alemanha de leste que se diz serem áreas interditas a estrangeiros, homossexuais e todas as pessoas consideradas não-germânicas.

Segregação racial
O apartheid
Durante quase cinquenta anos, a África do Sul esteve sob um regime discriminatório de segregação racial que ficou conhecido como apartheid, uma palavra que, em africaans, significa separação.
Tal como aconteceu na Alemanha nazi, também o regime de apartheid na África do Sul criou leis racistas internas. Enquanto na Alemanha a “separação” era feita entre arianos e judeus, na África do Sul discriminavam-se os negros em relação aos brancos.
Durante o apartheid, cada cidadão era obrigado a possuir um bilhete de identidade que indicasse a sua raça. Toda a vida quotidiana estava rigorosamente codificada por um conjunto de leis para cada comunidade, separando de forma precisa as leis que regiam a vida dos brancos e das outras raças.
Em termos de hierarquia racial, a minoria branca era a mais importante, seguida dos asiáticos e mestiços e, na base da pirâmide, os negros.
O poder político pertencia à minoria branca. A população negra estava confinada a uma zona específica de residência e só com um “livre-trânsito” os negros podiam passear nas zonas destinadas aos brancos.
Os negros tinham apenas e só acesso a empregos subalternos. Os casamentos inter-raciais eram proibidos e as relações sexuais entre brancos e outras raças eram punidas com penas que podiam atingir os sete anos de prisão.
O termo apartheid começou a ser utilizado no final da década de 1930 pelo South African Bureau for Racial Affairs (Departamento Sul-Africano para Assuntos Raciais), que exigia uma política de “desenvolvimento separado” das raças. Podemos começar a falar num regime estabelecido de apartheid a partir de 1948, ano em que o Partido Nacionalista Africânder ascende ao poder.
Durante este regime, as vozes da oposição foram silenciadas. Organizações contrárias ao apartheid, como o Congresso Nacional Africano e a Frente Democrática Unida foram ilegalizadas e alguns dos principais defensores da sua abolição foram mortos, como Steven Biko, ou incomodados, como o arcebispo Desmond Tutu.
Embora a comunidade internacional não tenha sido muito interveniente neste regime de segregação racial, houve movimentos anti-apartheid em vários países. Em 1961, a África do Sul foi obrigada a sair da Commonwealth e, durante as décadas de 1960 e 1970, foram exigidas sanções internacionais a este país.
Os sangrentos motins do Soweto, em 1976, levaram a Europa e os EUA ao boicote económico e à cessação das entregas de armas. A rebelião do Soweto marcou o início da desintegração do regime. Começava a ser difícil a supremacia de quatro milhões de brancos face a doze milhões de negros, dois milhões de mestiços e meio milhão de indianos...
Durante a década de 1980, algumas das leis discriminatórias foram revogadas mas, só a partir de 1991, depois da libertação do carismático líder Nelson Mandela, deixaram de existir todas as leis de segregação racial.
Em 1994, realizam-se eleições multirraciais para a presidência da República e para o novo parlamento não racial. Nelson Mandela torna-se presidente da República, afastando para sempre o fantasma do apartheid (pelo menos oficialmente!).

Situação em Portugal
O Racismo em Portugal
Apesar de Portugal ser considerado “um país de brandos costumes”, o racismo existiu e ainda continua a existir no nosso país.
Embora não se registem actos regulares e constantes de violência contra as minorias que residem em Portugal, é certo que, aqui e ali, vão surgindo pequenos focos de conflitos étnico-raciais, com maior ou menor gravidade.
É certo que o tempo da colonização e do colonialismo já vão longe mas ainda subsiste no povo português uma certa aversão às minorias, em particular em relação às comunidades africanas e ciganas que residem em Portugal.
Desde a década de 1980 que Portugal passou a ser um destino importante de imigrantes. Os africanos chegaram a Portugal em grande número, em busca de melhores condições de vida e para fugirem das permanentes situações de guerra em África.
Apesar de não existirem manifestações muito evidentes de racismo contra os africanos em Portugal, é vulgar observarem-se atitudes sociais eminentemente racistas.
A um nível mais extremista, podemos fazer referência aos pontuais registos de conflitos com etnias ciganas, alguns deles com consequências graves, e ao surgimento de um movimento skinhead em Portugal, embora de pequenas dimensões.
Embora a Constituição portuguesa não permita a criação de organizações de extrema-direita, os ultra-nacionalistas skinheads conseguiram unir-se de forma a criar o seu próprio movimento em Portugal.
A partir da década de 1990, começaram a infiltrar-se nas claques desportivas, tentando passar a sua mensagem racista através dos meios de comunicação social. São, regra geral, os principais intervenientes em conflitos raciais no nosso país. Como exemplo mais grave, temos o homicídio de um jovem negro em Lisboa em 1995.
Não podemos, pois, dizer que Portugal é um país racista. Podemos sim afirmar que ainda existe algum preconceito face às minorias étnicas na mente de muitos portugueses.

Convenções e Declarações contra o Racismo
Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial - 1968

Em 1968 entrou em vigor a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Social, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Declaração sobre a Raça e os Preconceitos Raciais - 1978

Em 1978 entrou em vigor a Declaração sobre a Raça e os Preconceitos Raciais, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Declaração Sobre os Princípios Fundamentais Relativos à Contribuição dos Meios de Comunicação de Massa para (...) a Luta Contra o Racismo - 1978

Em 1978 entrou em vigor a Declaração sobre a os Princípios Fundamentais Relativos à Contribuição dos Meios de Comunicação de Massa para o Fortalecimento da Paz e da Compreensão Internacional para a Promoção dos Direitos Humanos e a Luta Contra o Racismo, o Apartheid e o Incitamento à Guerra, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação Fundadas na Religião ou nas Convicções - 1981

Em 1978 entrou em vigor a Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação Fundadas na Religião ou nas Convicções, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

VOLUNTARIADO

O que é o trabalho voluntário? Quem pode ser voluntário? Por que foi instituído um Ano Internacional dos Voluntários? Esta e outras perguntas serão respondidas neste dossier.
Ano Internacional dos Voluntários
2001 - Ano Internacional dos Voluntários

O Ano Internacional dos Voluntários, promulgado pelas Nações Unidas, foi comemorado em 2001 em mais de 123 países, incluindo Portugal.
A ideia de dedicar um ano à celebração do voluntariado surge devido ao conjunto de acções que os voluntários, um pouco por todo o mundo, têm vindo a desenvolver, em termos de ajuda social e humanitária. Este ano comemorativo visa, por um lado, trazer a público o reconhecimento que a sociedade global tem por estas pessoas e, por outro lado, promover e consolidar a prática do voluntariado em todo o mundo.
A intenção de realizar este Ano Internacional dos Voluntários começou a germinar há já algum tempo. Em 1995, a Declaração de Copenhaga, resultante da Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social, enunciou a importância da participação dos cidadãos e das organizações da sociedade civil no desenvolvimento social e económico. Por outro lado, várias organizações de voluntários mostraram interesse na proclamação a nível mundial de um Ano dos Voluntários.
A ideia entrou pela primeira vez no Sistema das Nações Unidas num fórum sobre políticas promovido pelo Programa dos Voluntários das Nações Unidas e pela Universidade das Nações Unidas, que aconteceu no Japão em Março de 1996.
O Programa dos Voluntários das Nações Unidas submeteu a proposta ao Comité Executivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para que se proclamasse o Ano Internacional dos Voluntários. O objectivo seria o da promoção do voluntariado.
Em 1997, depois de esta proposta ter sido apresentada por escrito ao Conselho Económico e Social e de o governo japonês a ter transmitido ao Secretário Geral das Nações Unidas, a ideia de dedicar um Ano aos Voluntários foi debatida na reunião na reunião do Conselho Económico e Social.
Na Resolução 1977/44, de 22 de Julho de 1997, o Conselho Económico e Social recomenda à Assembleia Geral a adopção do Ano Internacional dos Voluntários. A Resolução A/52, de 20 de Novembro de 1997, proclama 2001 como o Ano Internacional dos Voluntários. Esta Resolução foi subscrita por 123 países, entre os quais Portugal.
Para que a iniciativa fosse um êxito, em Março de 1999 constituiu-se uma equipa com membros dos vários países envolvidos. A principal função desta equipa foi a de divulgar e coordenar as actividades para o Ano Internacional dos Voluntários (AIV) e promover os Comités Nacionais AIV.
Em Portugal, constituiu-se a Comissão Nacional para o Ano Internacional dos Voluntários, presidida por Maria José Ritta. Na sua mensagem de boas-vindas, proferida pela presidente, em Janeiro de 2001, pode ler-se:
“... o Governo Português entendeu instituir a Comissão Nacional para o Ano Internacional dos Voluntários (CNAIV), composta por representantes de entidades públicas e de instituições de voluntariado, e por individualidades de reconhecido mérito...”
“... Ao longo deste Ano Internacional ocorrerão múltiplas iniciativas sobre o voluntariado, promovidas quer pela CNAIV, quer por entidades e instituições várias. Bom seria que os voluntários e as suas organizações fossem os grandes protagonistas de todas estas realizações.”
Fonte: Voluntariamente, seja. Boletim n.º 1. Ano Internacional dos Voluntários.
Objectivos da Comemoração
Objectivos do Ano Internacional dos Voluntários em Portugal

Cada um dos 123 países que aderiram a esta iniciativa, delinearam os seus próprios objectivos. Os objectivos do AIV em Portugal foram:

•Contribuir para a elaboração de um plano nacional de promoção e divulgação do trabalho voluntário.
•Propor medidas que permitam o aprofundamento do conhecimento sobre os voluntários portugueses.
•Identificar os meios e as formas adequadas a que um número cada vez maior de pessoas se interesse pela realização do trabalho voluntário.
•Contribuir para a implementação de um sistema de informação com vista a ser criada uma rede de comunicação e intercâmbio de exemplos e “boas práticas” dos voluntários.
•Promover a colaboração com as escolas e com as universidades, tendo em vista o estudo e desenvolvimento de projectos e programas incentivadores do voluntariado jovem.
•Criar um site que disponibilize ampla informação sobre as várias áreas e iniciativas enquadradas em acções de voluntariado, possibilitando um processo de consulta entre todos os intervenientes e interessados.
Fonte: Voluntariamente, seja. Boletim n.º 1. Ano Internacional dos Voluntários.
O que é ser voluntário?

Em termos gerais, voluntário é todo aquele que, livre e gratuitamente, cede o seu tempo e o seu trabalho a uma qualquer instituição ou organização, sem esperar receber nenhum tipo de gratificação por isso. São pessoas que, por motivação pessoal, espírito cívico e/ou impulso solidário querem dedicar parte do seu tempo a projectos e actividades em benefício da comunidade.
Mas os voluntários são muito mais do que isso. Na maior parte dos casos, são as pedras lapidares de algumas instituições, que nada seriam ou nada poderiam fazer sem eles.
As instituições de solidariedade social, de beneficência ou de prestação de cuidados médicos (para referir apenas alguns exemplos) comportam custos que não seriam suportáveis se não tivessem uma rede de voluntários a trabalhar para e com elas.
Para citar apenas alguns casos, podemos lembrar associações como a Abraço, ou instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome, a Santa Casa da Misericórdia ou a Cruz Vermelha Portuguesa. Provavelmente, os peditórios e as acções de sensibilização da Abraço não seriam nem tão eficientes nem em tão grande número se não contassem com a ajuda preciosa dos seus voluntários. As campanhas de recolha de alimentos ficariam, quem sabe, à porta dos supermercados se não existissem milhares de pessoas dispostas a ajudar voluntariamente os milhares de carenciados do nosso país. A Santa Casa da Misericórdia não teria a dimensão que já conseguiu adquirir sem o auxílio de todos os que trabalham voluntária e gratuitamente para ela. E o que seria da Cruz Vermelha sem as pessoas que decidiram dedicar parte das suas vidas a ajudar os outros?
O trabalho voluntário é indispensável para estas instituições. Sem ele, muitas delas já teriam deixado de existir. Por outro lado, para os voluntários, é muito gratificante ver reconhecida a sua utilidade e o seu carácter imprescindível.
É claro que não podemos esquecer outras organizações, como os Bombeiros Voluntários, que prestam um trabalho essencial e indispensável à comunidade. As cerca de 500 corporações de Bombeiros Voluntários que já existem em Portugal são uma das provas vivas de que o trabalho de voluntariado é imprescindível. Com certeza não haveria maneira de fazer face a incêndios, acidentes, pedidos urgentes de ambulâncias e deslocações de doentes se aos Bombeiros Profissionais não se juntassem os voluntários.
Ser voluntário é prestar um serviço de utilidade pública mas, ao mesmo tempo, é uma oportunidade única de ser realmente útil e de fazer um trabalho louvável. Ser voluntário é fazer o bem sem esperar nenhuma gratificação, a não ser a recompensa moral de saber que o seu trabalho e a sua dedicação podem ter sido determinantes na recuperação de um doente, no sorriso de uma criança carenciada ou numa réstea de esperança de uma família pobre.
Os voluntários, regra geral, são pessoas generosas, com disponibilidade, alegres, dedicadas e com vontade de ajudar os outros. Só assim conseguem cumprir os objectivos a que se propõem ao serviço da comunidade.
Entre outras coisas, o voluntário sente satisfação e realização pessoal, sente-se membro de um grupo, integra um projecto colectivo e contacta com pessoas com interesses comuns.
Por tudo isto, é muito importante que se pense no Ano Internacional dos Voluntários como uma tomada de consciência em relação às condições sociais e humanitárias de muitas pessoas e não como mais um ano comemorativo que será esquecido mal termine.
O trabalho voluntário deve ser lembrado e merece ser apoiado. Por todos!
Como ser voluntário?
Ser voluntário

Para quem deseja dedicar parte do seu tempo a trabalhar como voluntário em qualquer instituição ou organização, o melhor é procurar informações junto da mesma. Regra geral, estas instituições que aceitam trabalho voluntário têm páginas na Internet que dão todas as informações necessárias e, nalguns casos, disponibilizam o formulário de inscrição.

Quando se toma a decisão de trabalhar como voluntário, há que ter em consideração a disponibilidade que se tem e, principalmente, a motivação para o fazer. De nada serve a uma instituição uma pessoa que não esteja verdadeiramente motivada para os objectivos propostos. É fundamental que se sinta realmente a vontade de ajudar os outros sem pensar em receber nada em troca.
Geralmente, não são exigidos grandes requisitos a quem quer ser voluntário. A motivação e a disponibilidade são, na maior parte das vezes, critérios suficientes na escolha dos candidatos. No entanto, em casos como os da AMI ou de outras organizações ligadas a missões humanitárias, muitas vezes é necessário possuir-se conhecimentos mais académicos. No caso da AMI, por exemplo, o pessoal mais necessário é o pessoal médico e paramédico.
Os jovens são uma grande fatia do voluntariado em Portugal. A pensar neles, o Instituto Português da Juventude (IPJ) criou um site (www.voluntariadojovem.pt) onde qualquer pessoa se pode inscrever para desempenhar actividades de voluntariado. Mais uma vez, a disponibilidade é fundamental para a escolha dos candidatos.
Uma vez inscritos, os candidatos passam a fazer parte de uma base de dados de possíveis voluntários a que as instituições recorrem quando necessitam deste tipo de trabalho. As áreas de voluntariado contempladas nestes programas são as de Saúde, Educação e Alfabetização, Formação e Orientação Profissional, Recuperação e Preservação do Património, (Re)Integração Social, Ajuda Humanitária, etc.
São inúmeras as possibilidades de voluntariado no nosso país. Um dos objectivos do Ano Internacional dos Voluntários é, precisamente, sensibilizar a população para o trabalho que estas pessoas fazem e dar a conhecer o mundo dos voluntários. Só através de uma campanha de sensibilização e informação é que as pessoas poderão estar suficientemente esclarecidas para, quem sabe, engrossar as fileiras dos milhares de voluntários que já dedicam o seu trabalho a causas nobres.
Benefícios do trabalho voluntário
É bom ser voluntário
“O trabalho voluntário traz benefícios tanto para a sociedade em geral quanto para o voluntário como indivíduo. Contribui para cada uma das áreas prioritárias identificadas na Declaração e Programa de Acção de Copenhaga: a integração social, o alívio da miséria e o acesso universal ao emprego”
O trabalho voluntário é uma forma excelente de as pessoas demonstrarem a sua participação como cidadãos. Ao se empenharem em desenvolver trabalhos de ajuda à comunidade, os voluntários avivam ainda mais o espírito de comunidade.
Por outro lado, o trabalho voluntário contribui para a integração na sociedade de pessoas excluídas ou marginalizadas. O trabalho voluntário está aberto a todos os que queiram participar, por isso não existe nenhum tipo de marginalização em relação aos que oferecem os seus serviços. Esta é uma óptima maneira de acabar com estereótipos negativos relativos a essas pessoas.
Embora os voluntários não esperem nada em troca do seu trabalho, a verdade é que o trabalho de voluntariado pode vir a ser importante na carreira profissional de uma pessoa. Fazer trabalho voluntário pode ser uma vantagem no mercado de trabalho.
Fonte: Reunião do Grupo de Trabalho de Especialistas sobre o Vountariado e o Desenvolvimento Social, Nova Iorque, 29 a 30 de Novembro de
•Os voluntários da AMI
A AMI e o trabalho de voluntariado
A AMI – Fundação de Assistência Médica Internacional – é uma das várias organizações de ajuda humanitária que conta com o trabalho e a dedicação daqueles que trabalham em regime de voluntariado.
O principal objectivo desta organização é o de “agir do ponto de vista médico contra o subdesenvolvimento, a fome e as sequelas de guerra, em qualquer parte do mundo onde a presença de equipas médicas seja o único recurso para as vítimas”.
Neste sentido, a AMI organiza missões, compostas por equipas de médicos, enfermeiros e logísticos, todos voluntários, que se deslocam por períodos de semanas, meses ou anos, para os países mais carenciados, vítimas de situações de guerra ou de problemas económicos ou sociais.
O trabalho destas equipas de voluntários, por ser em países carenciados, é desenvolvido em condições de vida precárias e/ou em situações de instabilidade política, onde as pessoas apresentam hábitos sócio-culturais diferentes e problemas de saúde graves.
As actividades a desenvolver nestas situações são várias: medicina curativa e preventiva, cirurgia, nutrição, luta contra as grandes endemias, vacinação, formação, laboratório, água, higiene e saneamento, reabilitação de hospitais, logística, administração, etc.
As equipas da AMI são, geralmente, compostas por profissionais de saúde, que asseguram as intervenções médicas e paramédicas. No entanto, os logísticos que também seguem em missão podem não ter nenhum tipo de formação académica.
Todos estes profissionais trabalham em regime de voluntariado de missão. Os critérios de selecção dos voluntários que vão partir em missão baseiam-se nas suas habilitações literárias (os médicos e paramédicos têm, obviamente, de possuir o seu diploma), na sua experiência profissional, no conhecimento que têm de línguas estrangeiras e na sua disponibilidade.
Para além disso, é muito importante que saibam trabalhar em equipa e compreendam que o esforço colectivo de todos eles poderá ser determinante para o êxito da missão.
A Carta de Princípios da AMI sintetiza como deve proceder um voluntário desta organização:
“1 – Socorrer todas as vítimas de catástrofes naturais, acidentes colectivos e situações de guerra, sem discriminação de raça, política, religião, filosofia ou posição social.
2 – Trabalhar na mais estrita neutralidade e em completa independência, coibindo-se de se imiscuir nas questões internas dos Estados, Governos e Partidos em cujo território sejam chamados a servir.
A AMI – Fundação de Assitência Médica Internacional – reivindica, para a sua actividade, em nome da sua vocação universal, a liberdade plena e integral do exercício da função médica.
3 – Não aceitar, nem tolerar enfeudamento ou influência de qualquer poder ou força política, ideológica, religiosa ou outra.
4 – Respeitar o sigilo profissional e abster-se de emitir qualquer juízo ou de exprimir publicamente uma opinião favorável ou hostil, a respeito dos acontecimentos, forças ou dirigentes que aceitaram o seu concurso.
5 – Anónimos ou beneméritos, não esperar do exercício da sua actividade qualquer benefício pessoal ou colectivo.
Avaliando os riscos e perigos das missões que cumprem, não reclamar para si, nem para terceiros que os representem, qualquer compensação para além da que a instituição esteja em condições de oferecer.”
Apesar de todas estas pessoas trabalharem em regime de voluntário, recebem uma pequena compensação económica, que visa assegurar o pagamento das despesas decorrentes das suas deslocações para um país estrangeiro.
Fonte:www.portugalnet.pt/ami/
(site oficial da AMI)

O trabalho da APAV
A APAV e o trabalho de voluntariado

A APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima é uma associação sem fins lucrativos que visa prestar assistência a todos aqueles que foram vítimas de crime. Esta associação foi criada em 1990, por um grupo de 27 membros fundadores e conta actualmente com cerca de 180 voluntários técnicos, na sua maioria jovens.

A APAV surgiu num contexto penal em que os direitos da vítima de crime começavam a ser repensados. Até então, o papel da vítima não passava disso mesmo: um papel de vítima. Com o passar dos tempos, chegou-se à conclusão de que a vítima de crime necessitava de um apoio especial, individualizado e gratuito, que a ajudasse a ultrapassar a má experiência pela qual tinha passado.
Nesse sentido, a APAV “desenvolveu-se apostando em duas linhas de acção concretas: a criação e manutenção de uma rede mínima de Gabinetes de Apoio à Vítima (GAV), apoiada numa similar rede de Voluntariado social, e em cooperação com as instituições, públicas e privadas existentes”.
O êxito da APAV na concretização dos seus objectivos está directamente relacionado com a sua rede de voluntariado. São os voluntários da APAV que dedicam as suas horas de trabalho livre e desinteressado ao apoio às vítimas de crime.
O voluntariado na APAV pode ser exercido de duas formas, sendo a finalidade sempre o apoio à vítima:
“- o voluntariado social para o atendimento à vítima. Esta modalidade corresponde aos Voluntários que atendem directamente a população, sendo por isso Técnicos de Apoio à Vítima Voluntários, devendo reunir as competências pessoal e técnica, cujo acompanhamento e avaliação por parte do gestor deverá estar dentro da generalidade dos pressupostos e das acções típicas do apoio à Vítima;
- o voluntariado social para outros serviços (outros colaboradores). Esta modalidade corresponde aos Voluntários com ou sem formação académica superior que, em vários âmbitos, possam colaborar com o GAV. São exemplo desta modalidade investigadores, tradutores, relações públicas, secretários, designers, enfermeiros, médicos, etc.”
Aos voluntários da APAV apenas se pede que tenham competência pessoal e competência técnica. Na competência pessoal, engloba-se a capacidade de convívio e de relacionamento com os outros, a capacidade para lidar com o stress provocado pelas situações de angústia das vítimas, a estabilidade emocional, a capacidade de trabalho em equipa, a motivação e a vocação para este tipo de trabalho. Em relação à competência técnica, pede-se aos voluntários que vão desempenhar cargos técnicos, que tenham formação superior nas áreas de Psicologia, Direito, Trabalho Social e outras Ciências Humanas.
Todos os voluntários são sujeitos a um Programa de Formação Inicial que lhes veicula os conhecimentos essenciais referentes à actividade exercida e aos procedimentos e práticas internas da organização. Submetem-se também a uma Formação Contínua com vista ao desenvolvimento dos seus conhecimentos e competências profissionais.
Fonte:www.apav.pt
site oficial da APAV)
O trabalho do Banco Alimentar contra a Fome
O Banco Alimentar e o trabalho de voluntariado
Já se tornou um hábito encontrar voluntários do Banco Alimentar Contra a Fome nos supermercados a fazer recolha de alimentos. Esta acção acontece normalmente duas vezes por ano e é apenas uma pequena amostra do que esta instituição faz pelos mais carenciados.
O Banco Alimentar Contra a Fome é uma instituição particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, que tem como objectivo a recolha de alimentos junto de empresas ou particulares para ajudar aqueles que não têm possibilidade de garantir a sua subsistência. A ideia de criar uma instituição deste tipo surgiu em 1966 nos Estados Unidos, onde já existem cerca de 300 Bancos Alimentares. Na Europa, o primeiro Banco Alimentar apareceu em França, em 1984. Actualmente, existem já instituições deste tipo na Bélgica, Inglaterra, Espanha, Irlanda, Itália, alguns países de Leste e Portugal.
Em Portugal, existem instalações do Banco Alimentar Contra a Fome em Lisboa, em pleno funcionamento desde 1992, Porto e Ponta Delgada.
Esta instituição conta com o trabalho de muitos voluntários que asseguram a recolha, o armazenamento e o controlo da qualidade dos alimentos doados.
Além das doações de alimentos feitas por particulares, o Banco Alimentar Contra a Fome conta com a colaboração de diversas empresas que assim se associam de forma solidária a esta instituição. Produtos excedentários, produtos ainda consumíveis mas com o prazo de validade já ultrapassado, produtos devolvidos ou com embalagens danificadas ou excedentes de acções promocionais são alguns dos exemplos do tipo de doações que as empresas do ramo alimentar podem fazer ao Banco Alimentar Contra a Fome. O lema é aproveitar, em vez de desperdiçar!
O trabalho dos voluntários começa na recolha dos alimentos. Uma vez recolhidos os alimentos, os voluntários do Banco Alimentar procedem à sua recepção, classificação, acondicionamento, controlo de qualidade e gestão de stocks. É também ao Banco Alimentar, e a todos os que lá trabalham, que cabe a tarefa de proceder à distribuição dos produtos alimentares armazenados por instituições de Solidariedade Social credenciadas junto ao Banco Alimentar que depois os entregam aos mais carenciados. Recolher, armazenar e organizar a distribuição de toneladas de alimentos não é tarefa fácil mas os voluntários que aqui trabalham empenham-se a fundo nesta tarefa.
Qualquer pessoa pode contribuir neste objectivo de ajudar os mais carenciados. Não só a oferta de alimentos é importante e fundamental por parte de todas as pessoas, mas também a sua disponibilidade para trabalhar em regime de voluntariado na execução destas tarefas de recolha, armazenamento e distribuição de produtos alimentares. Também os contributos financeiros são bem-vindos, já que uma instituição deste tipo acarreta muitos custos.
Como acontece todos os anos, Dezembro é não só o mês do Natal como um dos meses escolhidos pelo Banco Alimentar Contra a Fome para mais uma das suas campanhas de recolha de alimentos. 2001 não foi excepção e os resultados traduzem bem o papel fundamental que esta instituição tem no combate à pobreza: 899 toneladas de bens, recolhidas em 360 superfícies comerciais das oito cidades que participaram na iniciativa. Esta campanha contou com a participação de 6300 voluntários!
Moradas:
Banco Alimentar Contra a Fome – Lisboa
Estação da CP – Alcântara Terra
Armazém 1 – Avenida de Ceuta
1300 Lisboa
Banco Alimentar Contra a Fome – Porto
Avenida Senhora da Hora s/n
4457 Matosinhos Codex
na internet: http://porto.banco-alimentar.pt/

O trabalho da Cruz Vermelha Portuguesa
A Cruz Vermelha e o trabalho de voluntariado

“A Cruz Vermelha Portuguesa, abreviadamente CVP, é uma instituição humanitária não governamental, de carácter voluntário, que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública administrativa, sem fins lucrativos, com plena capacidade jurídica para a prossecução dos seus fins.
Objectivo fundamental (art. 5.º)
A difusão e aplicação dos princípios fundamentais da Cruz Vermelha e das Convenções de Genebra, designadamente na defesa da vida, saúde e dignidade humanas, através do fomento do trabalho voluntário de pessoas singulares e colectivas, públicas e privadas, na actuação e sustentação da instituição ao serviço do bem comum.”
In Estatuto da Cruz Vermelha Portuguesa, consagrado no Decreto-lei 10/93, de 27 de Abril.
As origens da Cruz Vermelha Portuguesa remontam a 1868, ano em que, por Decreto de 26 de Maio, Portugal se associou oficialmente ao movimento internacional de “Protecção aos feridos e doentes de guerra”. Até 1877, a Cruz Vermelha surge como a “Comissão Portuguesa de Socorros a Feridos e Doentes Militares em Tempo de Guerra”. Dez anos depois, reaparece sob a designação de Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha.
Desde então, a Cruz Vermelha Portuguesa tem desenvolvido o seu trabalho em prol de diversas acções humanitárias. A ideia original de “socorro em tempo de guerra” foi sendo substituída pela “solidariedade no sofrimento”.
Simultaneamente, a CVP colabora com organismos internacionais na prestação de socorros e assistência a populações de países estrangeiros assolados pela fome, guerra e outras situações de miséria.
O trabalho desenvolvido pela Cruz Vermelha é assegurado, maioritariamente, por pessoal voluntário. Estes voluntários estão vocacionados, principalmente, para intervir nas áreas de saúde e social.
As acções desenvolvidas pela Cruz Vermelha são:
“( Procura e fomento da Paz; cooperação nacional e internacional; promoção dos Direitos Humanos; difusão e ensino do Direito Internacional Humanitário.
( Actuação em caso de conflito armado e respectiva preparação em tempo de paz.
( Prevenção e reparação de danos resultantes de acidentes, catástrofes, calamidades públicas, flagelos sociais, epidemias e doenças de elevada incidência, e acontecimentos semelhantes; protecção e socorro das vítimas.
( Prestação de primeiros socorros; levantamento e transporte de doentes ou acidentados; montagem de postos de saúde e hospitais, bem como de outras estruturas e actividades de protecção da vida e da saúde.
( Promoção e divulgação de programas de apoio social relativos à prevenção e assistência.
( Promoção e participação em acções de solidariedade social de entidades públicas de assistência social e de qualidade de vida.
( Fomento e participação em programas de prevenção sanitária e outras acções de interesse para a saúde pública.
( Realização de programas e actividades de formação no âmbito do Direito Internacional Humanitário, do bem estar social e da saúde.
( Dinamização e participação voluntária e desinteressada de pessoas singulares e colectivas, públicas e privadas, nas actividades de sustentação da instituição.
( Cooperação na protecção às vítimas de calamidades, no país ou no estrangeiro.
( Colaboração com os serviços de saúde militar, através de acções de protecção a militares feridos, doentes, náufragos ou prisioneiros, assim como a vítimas de conflitos internacionais ou não internacionais, e de outras situações decorrentes de estados de excepção.
( Promoção do funcionamento de centros hospitalares ou centros de socorros e tratamento, principalmente nos grandes aglomerados populacionais e industriais.
É precisamente nestas acções que a Cruz Vermelha Portuguesa conta com a ajuda preciosa dos seus voluntários.
A Cruz Vermelha conta com a participação de milhões de membros e voluntários em todo o mundo. Considerando as 176 Sociedades Nacionais, a Cruz Vermelha tem, no total, 105,5 milhões de membros e voluntários.
Fonte: http://www.cruzvermelha.pt (site oficial da Cruz Vermelha Portuguesa)